segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Stand Mavico

 
 
Stand Mavico
 
Aqui é ainda, mas ao que suponho com materais de venda diferentes de há 30/40 anos, o - ao que me lembro -  primeiro Stand de motorizadas originais em Faro, se descontarmos um outro que houve na Rua General Humberto Delgado, da Cocciollo e /ou Pachancho que não eram motorizadas (motociclos) com motor a três tempos.
 
Em rigor a Mavico, por aquilo que soube, não era uma fábrica de motorizadas, mas sim uma fábrica de montagem de peças de motorizadas que através de modelos próprios exteriores na embalagem (carroçaria se quisermos) conseguia ter os seus modelos próprios, trabalhando com materais produzidos noutras fábricas e nomeadamente com a Famel de Agueda, cuja porta é logo ao lado mas só apareceu depois, também segundo me lembro.
 
A «febre» das motorizadas teve o seu apogeu por meados dos anos 50/60 do sec. passado e à volta dela foi criada uma estrutura com relações de dependência de sub-tratadores, tal como vendedores de pneus, oficinas de reparação, etc.
 
Hoje praticamente não há motorizadas, ou há muito poucas comparativamente com esse tempo, sendo mais usada a lambreta, que curiosamente no tempo inicial em que apareceu não conseguiu vencer em termos de vendas estas. Fá-lo agora...

 

Casa Espírito Santo

 
 
Casa Espírito Santo
 
Ora aqui, esta casa de esquina, aqui pintada de castanho meio-escuro, fica em frente à casa que foi uma Escola Primária no Bom João (embora agora já não esteja lá, nem a Escola nem a casa: está um prédio com 4 andares), morou, segundo a minha memória o Paulo Espírito Santo (vulgo Paulito e Paulinho) a respectivos pais.
 
Mas, segundo o Mauricio Severo Domingues (ver aqui: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=530719600302690&set=a.314143928626926.71102.310830955624890&type=1&theater ) e cito «Em frente da Escola, na casa do canto, residia o Capitão Leote, pai do actual também Capitão Eugénio Boal Vieira Leote e duas filhas , ambas já falecidas.».
 
Assim teremos que antes da família Espírito Santo terá aqui habitado a família Boal Vieira Leote.
 
Pois bem, eu não me lembro de alguém outro morar naquela casa o que me leva a supor (com elevado grau de certeza) que pode ter havido um lapso de tempo em que a família do Capitão Leote lá tenha morado e eu não ter dado por ela e a razão é simples: eu só dei pela família Espírito Santo lá morar porque esta tinha um filho da minha idade, mais um ano ou dois salvo erro.
 
No enfiamento deste renque de casas vê-se a seguir uma casa, agora coberta de azulejos e que na altura era de arquitectura semelhante à da esquina aqui referida (embora sem varanda) que foi a casa dos avós do Luís de Camões que ainda por lá passou salvo erro um ou dois anos e ia lá visitar os avós, embora morasse na zona do Pé da Cruz.
 
Mais abaixo e à esquina será então uma casa já aqui falada (ver aqui: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=528065633901420&set=a.314143928626926.71102.310830955624890&type=1&theater ) que foi onde morou o Carlos Gomes e posteriormente o Manuel Adanjo Inácio.
 
Esta casa da esquina ainda hoje é da família Espírito Santo tendo lá vivido uma filha até há bem pouco tempo e continua a ser mantida por um ou mais netos (não estou certo neste ponto).
 
A família Espírito Santo era o objecto inicial desta foto que tinha em carteira devida a três particularidades podendo elas não serem muito importantes para outros, mas que para mim são o fio da meada memorial: a mãe do Paulito era de origem brasileira e durante os cerca de 15/20 anos que a conheci ali manteve sempre o sotaque brasileiro (Dª Inês se chamava).
 
O pai do Paulito parece-me que era bancário, nunca soube exactamente o que ele fazia, mas sabia que ele tinha um carro (anos 50 talvez) que a ser mantido no estado em que ele sempre o manteve, hoje valeria seguramente uma pequena fortuna.Tinha-o numa garagem na Rua Pedro Nunes, logo acima e só o retirava quando tinha de viajar. Era mesmo um belo carro!!
 
O Paulito cresceu, foi para Lisboa, ainda veio cá uma vez ou duas mas acabei por o perder de vista. Andou no Liceu de Faro.
 
  

Legião Portuguesa

 
 
Legião Portuguesa
 
Aqui neste edifício foi a sede farense da Legião Portuguesa, organização cuja função e posição no quadrante político do Estado Novo nunca entendi muito bem.
 
Colavam cartazes da União Nacional, faziam acções de informação sobre Defesa Civil e contra catástrofes (como reagir a um sismo, por exemplo), levavam cinema propaganda aos locais, cidades e aldeias nomeadamente sobre controle de natalidade para os mais pobres, apresentavam os bichinhos da higiene pública ao detalhe sendo muito gozados quando referiam a fauna púbica e enfim, tinham uma estrutura militar por aquilo que percebi porque o legionário para emigrar tinha de pedir licença e obtê-la.
 
Conheço uma pessoa que foi para a Alemanha sem dar cavaco e depois sentiu-se muito receoso para regressar a Portugal de férias o que só veio a fazer depois do 25 de Abril.
 
Tinham umas fardas extraordinariamente verdes (nunca vi um verde tão verde) e faziam exercícios de defesa civil do território com sacos de areia e estavam nesses exercícios encarregados de encaminhar as pessoas para os abrigos anti-aéreos.
 
Não era nada conveniente no entanto dizer-se em frente de um legionário que não se era adepto da União Nacional.
 
O partido socialista ocupou o local logo em 1974, pelo que sei, e por lá se tem mantido. 

Anexo da Estalagem Caíque em Olhão

 
 
Anexo da Estalagem Caíque em Olhão
 
Esta casa que aqui se vê, um «apalaçado» seguramente devoluto e com grandes hipóteses de não ser recuperado senão para uma subida em flecha, foi durante algum tempo um Anexo da Estalagem Caíque, que depois foi Sol e Mar ou coisa que lhe valha e foi o primeiro Hotel de jeito que houve em Olhão nos anos 60/70.
 
Tinha 35 quartos e quando enchia (porque enchia no Verão) as pessoas eram direccionadas para o Anexo, quando queriam, é claro.
 
Tinha no entanto um problema de casas de banho, esta casa, (só tinha duas) e não havia água corrente nos quartos, pelo que era engraçado ver o tradicional lavatório, com jarrinho com água e bacio e a toalhinha pendurada em cada quarto.
 
Nota: fica no cruzamento da Rua 18 de Junho com uma rua cujo nome me não lembra e não se consegue ver na placa.

sábado, 24 de agosto de 2013

Memórias: Benje, o melhor guarda redes do mundo

 
 
Memórias: Benje, o melhor guarda redes do mundo
 
Quando a bola estava longe, a sua presença lembrava mais a de um velho sábio africano, cansado das duras batalhas. Quando a bola ou os adversários invadiam, por alto ou pela terra, a sua área, ai ele virava pantera ou gato negro, felino, com uns reflexos espantosos, voando para as chamadas defesas impossíveis. Jogou entre os anos 60 e 70 (Farense, Varzim, Leixões...) e era... o melhor guarda redes do mundo!.
 
Na baliza, quando a bola estava longe e dava uns passos no meio da grande área, a sua presença lembrava mais a de um velho sábio africano, cansado das duras batalhas que travara no passado, do que a de um felino voador.
 
Não sei se esta imagem balzaquiana me ocupa a mente devido a só o ter visto, com olhos de ver, já na fase terminal da sua carreira, as ultimas quatro-cinco épocas, mas a verdade é que, logo por cima dessa imagem, se sobrepõe outra, muito mais forte, que emerge quando recordo a sua reacção quando a bola surgia na sua área, por alto ou com avançados isolados ávidos por o fuzilar.
 
Aí, o gigante Benje, virava gato negro, felino, voador, com uns reflexos espantosos, executando, com eficácia e beleza estonteante, as chamadas defesas impossíveis. Por ser negro, algo ainda hoje pouco comum, nos guarda redes que jogam na Europa, todo aquele aparato tinha ainda uma maior dose de magia feiticeira, como se fosse dono de qualquer segredo africano. Mesclava o inestético com o espectacular e criava um estilo único e deslumbrante. Como fez quase todas a sua carreira por clubes ditos pequenos (Varzim, Farense, Leixões...) daqueles que jogam para não descer de divisão, num tempo em que as diferenças entre as equipas em Portugal era gigantesca, as suas sucessivas grandes exibições adquiriam contornos verdadeiramente épicos.
 
Entre elas, recordo uma que assisti ao vivo, no repleto Estádio do Mar, numa tarde com o sol a pino, em Matosinhos, num Leixões-FC Porto, por volta de 1976, que tentei seguir, avidamente, procurando ver por entre a multidão, toda de pé, que seguia hipnotizada o jogo. As imagens que retenho desse hoje estão-me gravadas na memória e (curiosamente, não sei porquê, para além de uma série de cruzamentos para trás da baliza, de um careca lateral portista chamado Taí que, nesse gesto técnico falhado tanto irritava os adeptos azuis e brancos) todas elas estão relacionadas com as espectaculares defesas em voo de Benje. E como ele voava, naquele seu tradicional equipamento cinzento.
 
O jogo terminaria com uma grande vitória do Leixões por 0-0. É verdade, leu bem, não me enganei, o resultado final foi mesmo esse e nessa altura empatar com um grande era como uma vitória para essas pequenas equipas, sobretudo na rivalidade que opunha Leixões e FC Porto..
 
Benje pertence, indubitavelmente, ao universo mágico do futebol português, num tempo em que o império ia do Minho até Timor, ele era, vindo de Angola, como um símbolo desses enorme legado ultramarino que tantas glórias e grandes jogadores, brincas na areia, engraçados e fenómenos, deu ao nosso futebol.
 

A última vez que ouvi falar dele foi, salvo erro, em 2001. Era então funcionário fiscal da Câmara Municipal de Faro, onde se radicara finda a carreira. A beleza do seu estilo pode ser, em parte, apreciada na foto que encabeça este artigo, datada de 1973, num jogo contra o Benfica no velho Estádio da Luz, quando, defendendo as redes do Farense, voou, destemido, para roubar a bola dos pés do ponta de lança do Benfica chamado... Artur Jorge.
 
O homem que melhor definiu a categoria de Benje foi, no entanto, um famoso e precursor treinador que marcou uma época no nosso futebol, pelo sua juventude irreverente, discurso diferente, caustico e que, ainda hoje, estaria muito á frente da maioria dos treinadores que ocupam os bancos da Super Liga.
 
Era Joaquim Meirim e a história sucedeu quando treinava o Varzim, no inicio dos anos 70, e o guarda redes suplente (confesso que não me lembro o nome) andava sempre muito chateado porque nunca jogava. Nem um minuto sequer.
 
Foi então que Meirim, para o moralizar lhe disse para estar tranquilo, que a sua hora iria chegar, pois ele era...o melhor guarda redes da Europa.
 
O “keeper” suplente abriu os olhos de espanto. Se era assim, então porque não estava a jogar?
 
Simples: porque o titular, Benje, era o melhor guarda redes do... mundo!
 
Palavra de mestre Meirim.
 
Texto escrito em 11 de Novembro de 2004, por Luís Freitas Lobo em Planeta do Futebol 

http://www.planetadofutebol.com/artigos/memorias-benje-o-melhor-guarda-redes-do-mundo
 

Colégio da Bernardete

 
 
Colégio da Bernardete
 
Aqui, em Olhão, na Rua General Humberto Delgado, continuação da Rua Diogo Cristina a partir da Avª 18 de Junho (quando se vai para actual estação da Rodoviária) foi o famoso Colégio da Bernardete, como era sumariamente apelidado o estabelecimento de ensino feminino da Dª Bernardete Romeira.

Está lá um outra chapa na porta, mas o que interessa aqui é que era um colégio exclusivamente feminino, onde uma parte substancial das filhas de médios e grandes burgueses de Olhão estudaram.
 
É assim como versão olhanense do Colégio do Alto em Faro, ou mesmo do Colégio Algarve, igualmente em Faro.

Casa do Dr. Passos Valente

 
 
Casa do Dr. Passos Valente
 
Esta é a casa do falecido Advogado farense Dr. Passos Valente, que teve escritório na Rua que vai ter ao Largo das Mouras Velhas, do lado do Teatro Lethes, em frente à entrada do campo de futebol de salão, depois parque de ambulâncias e agora não sei.
 
O rés do chão desta casa parece-me que esteve (ou está) ocupado por uma escola de línguas depois do seu falecimento.
 
É um imóvel «incerto», pelo menos, em termos de arquitectura, na minha opinião: denoto, sem ser especialista, alguma mistura de estilos que pretende ser harmoniosa e que com um pouco de esforço da parte do observador pode sê-lo.
 
Não sei qual será o seu futuro e isso será uma incógnita que só o tempo esclarecerá.
 
Fica no cruzamento da Rua Almeida Garrett com a Rua Dr. Justino Cúmano.